Condromalácia: conhece algum corredor que tem?

17/09/2014 08:08
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Uma dentre as maiores queixas de dor em corredores está relacionada ao joelho. Esta articulação é a comunicação entre as extremidades de dois ossos longos: o fêmur (maior osso do corpo humano, localizado na coxa) e a tíbia (um dos dois ossos da perna, localizado medialmente à fíbula). Nestas extremidades possuímos tecidos fundamentais para o perfeito funcionamento desta articulação, como as cartilagens (responsáveis, entre outros fatores, pela distribuição da carga entre as estruturas e o deslizamento entre ossos), ligamentos, cápsula articular e os meniscos (que se aderem à parte superior da tíbia).
 
A condromalácia é o nome dado a um processo degenerativo da cartilagem subdividido em graus (normalmente de 1 a 4) que indicam o quão a estrutura está afetada, podendo causar dor na região anterior do joelho.
 
Esta é uma condição muito comum que pode ter uma grande variedade de causas potenciais. A condromalácia, dentre outras patologias, é uma das causas da dor patelofemural (ELIAS & WHITE, 2004). É caracterizada por dor, edema e crepitação retropatelar (atrás da patela), descrita como uma desconfortável sensação “rangedora”, assim como por um aumento da sensibilidade local que está associada ao desequilíbrio funcional do músculo quadríceps femoral, especialmente com a atrofia do músculo vasto medial, e com o encurtamento do trato iliotibial (adaptado de MACHADO E AMORIM, 2005).
 
As principais causas estão relacionadas ao excesso de uso (overuse), a maneira como os exercícios são realizados, trauma direto e a progressão incorreta do treinamento e de suas cargas. A pessoa normalmente tem dor acompanhada ou não de derrame articular (inchaço), pseudobloqueios (parece que o joelho vai “travar”) e tem dificuldade em subir e descer escadas, bem como agachar.
 
Pessoas que possuem a musculatura de membros inferiores com pouca força e resistência tendem a desenvolver esta patologia por redução da função estabilizadora dos músculos, além de pessoas que não estão acostumadas a correr e iniciam esta prática da noite para o dia rodando muito mais do que deveriam.
 
O primeiro grau da condromalácia possui bom prognóstico onde o repouso e exercícios específicos têm grandes chances de regredir esta afecção, bem como com o condicionamento muscular progressivo e orientado.
 
Para saber um pouco mais sobre esta patologia, converse com o seu educador físico, médico ortopedista ou fisioterapeuta para entender sobre as implicações desta importante degeneração!
 
Fique ligado! Obrigado pela leitura!
 
Forte abraço e até a semana que vem!
 
(ELIAS, D.A; WHITE, L.M. Imaging of patellofemoral disorders. Clin. Radiol., 2004.
MACHADO, F. A; AMORIM, A. A. Condromalácia patelar: aspectos estruturais, moleculares, morfológicos e biomecânicos. Revista de Educação Física, abril de 2005.)
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP