A importância de conhecer os limites do coração

18/02/2014 09:24
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Corredores de final de semana, amadores e profissionais estão propensos a questionarem sobre os limites da frequência cardíaca de treinamento, zonas ideais para perder peso, melhorar o desempenho, gastar mais calorias. Estas dúvidas são corriqueiras e muitos dos praticantes deste esporte já buscaram e receberam orientações sobre este tema. A partir desta afirmação, quais são reais necessidades de se identificar os limites do coração e zonas de treinamento para indivíduos sem restrições?
 
Infelizmente, o método mais utilizado pra estimar a frequência cardíaca máxima é o cálculo 220-idade (um indivíduo com 35 anos, por exemplo, teria seu 100% de capacidade de batimentos cardíacos [bpm] de 185). Desta forma, todos os percentuais de treino partiriam deste valor. Para quem quisesse treinar com intensidade de 80% deste máximo, teria o valor de 148 bpm como referência.
 
O principal erro desta fórmula é não estipular uma frequência cardíaca mínima, subentendendo-se que esta seja zero, o que não é fisiologicamente possível. Uma segunda linha de pesquisa relaciona a frequência cardíaca de repouso como limite inferior de batimentos cardíacos para realizar os cálculos, uma delas é a Equação de Karvonen (1957). Parece ser interessante por levar em consideração o nível de condicionamento do indivíduo, visto que pessoas treinadas possuem os batimentos cardíacos em repouso menores do que pessoas não treinadas.
 
Assim, o mesmo indivíduo com 35 anos que tenha 55 bpm em repouso teria a zona de 80% em 159 bpm (11 bpm a mais do que o cálculo anterior). Supondo que este indivíduo de 35 anos seja sedentário e tenha o repouso de 90 bpm, seu cálculo para 80% seria de 166 bpm (18 a mais do que o primeiro cálculo). O que se observa é uma grande diferença entre os números obtidos, o que pode subestimar ou supra estimar estes valores com certa facilidade.
 
Todavia, o melhor ponto de partida para conhecer estes valores é realizar um teste máximo, conhecido como teste ergométrico (lembrando, para indivíduos sem restrições) com acompanhamento médico e, a partir deste ponto, o educador físico prescreverá as intensidades ideais para atingir os seus objetivos com maior especificidade e menor chance de erro. Assim, a frequência cardíaca máxima seria uma variável que foi medida e não estipulada por cálculos preexistentes. Os testes incrementais em velocidade parecem ser mais interessantes do que os que evoluem na inclinação da esteira.
 
Independente de qual seja o seu objetivo com a corrida, procure informar-se sobre estes valores para treinar de maneira específica e não perder tempo nem energia exercitando-se de maneira aleatória.
 
Forte abraço, até breve!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP