Conseguiram! Organizadores da São Silvestre barram pipocas e descongestionam largada e chegada

02/01/2018 10:07

Rafael Gonçalves*
 
Será sempre um tema de muita polêmica no mundo mágico das corridas de rua. Há quem defenda, há quem recrimine. Fato é que o termo "pipoca" é tão falado quanto "pace" e causa calafrios nos organizadores de eventos. Pipoca é o corredor que participa das provas sem inscrição, sem direito ao kit, sem direito à medalha e teoricamente não teria direito à segurança nem aos copos de água. E isso nem sempre acontece. Em 2017, uma das maiores organizadoras de corrida iniciou um trabalho para coibir os pipocas, conscientizando o corredor e aumentando número de staff. Na 93ª São Silvestre, domingo (31), conseguiu.
 
Com baia de largada e centenas de seguranças, os pipocas não conseguiram ter acesso ao funil de largada. Nem mesmo os inscritos de um determinado setor conseguiram entrar em outro. Por exemplo, eu estava no setor amarelo. Subi uma rua que dava acesso ao setor vermelho e não puder entrar. Foi tudo muito rigoroso. E isso foi ótimo!
 
Sem o elevado número de pipocas, a largada da São Silvestre ficou descongestionada, estando nela "apenas" os 30 mil inscritos. Se antes demorava 3 km ou 4 km para correr a uma velocidade de 12 km/h, em 2017 já era possível atingir o ritmo após o primeiro quilômetro. Quem foi para assistir só pôde ficar nas grades depois do tapete de largada. Ou seja, aquele primo, tio, mãe ou vizinho que antes tomava conta do setor destinado ao atleta dessa vez também ficou distante, lá na "arquibancada" e não no "campo".
 
Obviamente que durante o percurso dos 15 km, fora do setor do pórtico, apareceram alguns pipocas. Pude notar, no entanto, que foi o menor número de atletas sem inscrição desde que comecei a participar da festa, em 2012 - corri seis edições seguidas.
 
As placas próximas aos pontos de água, já utilizadas em outras provas da organizadora, destacava "água somente para atletas inscritos". Com menos pipocas, não acabou a água. Com mais água, não houve a necessidade de parar e "brigar" por um copo, como aconteceu em 2016 - no ano retrasado foi um caos: muito calor, pipoca pegando água e corredor inscrito saindo do percurso para comprar água em padaria; perdi muito tempo nisso e fiz a prova em 1h38min, 12 minutos a mais do que em 2017.
 
O corredor parece estar mais consciente. Com o tempo isso vai evoluindo. Afinal, você só participa do evento, da festa, do show, se tiver o ingresso na mão. É caro, eu sei, também achei caro demais, para não dizer "absurdo" (R$ 170). Mas a opção é sua, é minha, é nossa. Registro no texto deste blog que flagrei o momento em que um corredor sem inscrição (foto), com a camisa laranja da São Silvestre de 2015, tentou furar o bloqueio antes da prova. Foi barrado e convidado a se retirar com a maior educação.
 
Enfim, se era este o propósito, dessa vez deu certo. Tomara que o propósito de 2018 seja melhorar a qualidade da camiseta. A São Silvestre merece algo "top", do tipo "Adidas", "Mizuno", "Nike"... Aí ficaria lindo!
 
Ótimo 2018 a todos vocês, amigos atletas e seguidores do VaiCorrendo.com!
 
 
*Rafael Gonçalves é jornalista de formação especializado em esportes. Já atuou em rádio e jornal como repórter, apresentador e editor; cobriu Copa do Mundo e dezenas de eventos esportivos. Corredor amador desde 2010 com 165 provas oficiais concluídas, é sócio-diretor do VaiCorrendo.com e da FollowX Comunicação.
 
 

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