Corrida é novidade para você? Ou você tem poucos quilômetros rodados? Fique atento!

02/12/2013 16:56
 Prof. Aroldo Costa Neto*

A corrida é uma das modalidades que mais vem crescendo dentre todas as possibilidades de prática de atividade física que existem. Um dos fatores que atraem tantos adeptos é o baixo custo de investimento em uma roupa adequada e um tênis apropriado. Mas não é somente isso o necessário para sair correndo.
 
Estudos recentes sugerem que a cada 10 pessoas que começam a correr, em média, seis adquiram algum tipo de lesão músculo esquelética nos três primeiros meses de prática, sendo obrigadas a interromperem o treinamento. Em quatro atuais estudos científicos (Oliveira e et al., 2012; Pileggi et al., 2010; Júnior et al., 2011; Hino et al., 2009) existem dados conclusivos entre 40 e 90% de indivíduos lesionados no primeiro ano de corrida, principalmente nos que começam a correr sem orientação profissional e sem fortalecimento específico prévio.
 
Para Oliveira et al. (2012), a corrida de rua é um esporte de baixo custo e de fácil adaptação para todas as classes sociais, o que o torna popular e fácil de ser iniciado. Por vezes a inexperiência e a falta de orientação podem levar a lesões.
 
O maior indicativo de lesão está no aumento repentino do volume (tempo correndo, distância percorrida, quilometragem total da semana, quantidade de treinos na semana) e intensidade (velocidade de corrida, subidas, descidas) que os praticantes incrementam normalmente antes das adaptações fisiológicas de fortalecimento que os músculos, tendões, ligamentos e outras estruturas articulares deveriam ter com menores estímulos de treinamento na fase inicial. Alguns estudos ainda sugerem protocolos de fortalecimento muscular em academia entre 4 e 12 semanas para após este período ser iniciada a atividade de correr.
 
Silva, Fraga e Gonçalves (2007) enfatizam as lesões causadas por fadiga muscular sobre a biomecânica de corrida, fadiga esta presente na maioria dos corredores novatos. Desta maneira, a boa vontade de buscar uma atividade física que traga tanto os benefícios estéticos de emagrecimento quando o prazer da liberação hormonal que a corrida promove deve estar acompanhada integralmente por um professor de educação física com experiência e que possua preocupação com o tempo de adaptação que as nossas articulações, ossos e músculos necessitam, prevenindo assim as lesões e permitindo a evolução dentro desta modalidade.
 
A iniciativa de começar a correr por conta própria está mais propensa a lesões do que benefícios em médio prazo. Pense nisso!
 
A dica para iniciantes é: nunca aumente mais de 10% de uma das variáveis básicas do treinamento (intensidade= velocidade) ou (volume= distância). Sendo assim, se você consegue correr hoje 3.000m a 8,0km/h sem parar, na semana seguinte incremente + 10% na distância (3.300m) ou 10% na velocidade (8,8Km/h). Nunca aumente as duas variáveis ao mesmo tempo! Parece pouco, mas é a única evidência científica que minimiza o risco de lesões em novos corredores.
 
Não se esqueça de que uma avaliação física completa é de fundamental importância para o reconhecimento das suas condições atuais e ponto de partida para traçar os objetivos. Forte abraço, até breve!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP
 
 

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