A corrida como ferramenta para desenvolver nossa Resistência Cardiorrespiratória

12/08/2014 10:35
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
O treinamento de corrida é uma das melhores estratégias para desenvolver a capacidade, a resistência e a eficiência do nosso sistema cardiorrespiratório. Por ser uma atividade cíclica (repetitiva e constante), é fácil de controlar as variáveis de treinamento visando à melhora deste sistema.
 
Como definição, “Resistência Cardiorrespiratória” é a capacidade que o coração, os pulmões e o sistema circulatório têm de fornecer oxigênio e nutrientes para os músculos trabalharem de maneira eficiente (HEYWARD, 2013). Quanto mais forte é o coração, menos vezes ele precisa “bater” por minuto para realizar suas funções. Normalmente, uma pessoa condicionada e não medicada possui batimentos cardíacos em repouso abaixo de 55 bpm, enquanto pessoas não condicionadas podem ter este repouso acima de 80 bpm (ou seja, o coração precisa trabalhar mais vezes por minuto para realizar a mesma tarefa).
 
Para avaliar esta variável da aptidão física, um teste de esforço progressivo (TEP) detecta como o coração responde a diferentes intensidades (dependendo do teste, à velocidade e/ou à inclinação da esteira). Após colher estes dados, as zonas de treinamento são estipuladas e utilizadas para prescrição de exercícios, de acordo com os objetivos do cliente (redução do peso, melhora do condicionamento físico geral, melhora da capacidade aeróbia, resistência à fadiga, entre outros).
 
Conhecer como o nosso corpo responde a um TEP é imprescindível para receber prescrições de exercícios específicas para as nossas necessidades, identificando pontos fortes e fracos do nosso condicionamento, servindo também como fator comparativo de progresso do condicionamento.
 
As imagens a seguir demonstram a evolução de 2 clientes (um com 66 anos de idade - após 7 meses de treinamento - e outro com 18 - após 6 meses de treinamento).
 
 
Estes dois alunos foram avaliados no primeiro dia antes de iniciarem os seus treinamentos (TESTE 1 – LINHA AZUL). Após 3 meses foi realizada a segunda avaliação (TESTE 2 – LINHA VERMELHA). Após 7 meses (indivíduo 1= 66 anos) e 6 meses (indivíduo 2= 18 anos) foi realizado o terceiro teste (TESTE 3 – LINHA VERDE).
 
 
Fica evidente que, para as mesmas cargas (velocidades) testadas, o coração respondeu de maneira mais eficiênte a cada novo teste, demonstrando a melhora do condicionamento cardiorrespiratório.
 
Esta melhora ocorre principalmente por dois motivos: o coração desenvolve sua massa muscular (principalmente do ventrículo esquerdo) e tem agora maior força de ejeção do sangue a cada batimento; também devido à adaptações físiológicas de melhor captação, absorção, transporte e utilização do oxigênio por este sistema, hoje mais eficiênte.
 
Após a realização deste teste, o profissional de educação física consegue, de maneira muito bem dirigida, prescrever as melhores estratégias de treinamento sem “tiros no escuro”, favorecendo de maneira eficiente a melhora do condicionamento dos seus clientes.
 
Na semana que vem o Vaicorrendo.com irá presentear 5 seguidores com avaliações físicas e cardiorrespiratórias, sendo uma delas com o teste de lactato (nosso próximo assunto na coluna semanal) e outras 4 com testes incrementais. Não perca a próxima coluna!
 
Obrigado pela leitura! Excelente semana!
 
Forte abraço!
 
(HEYWARD, V. H. Avaliação física e prescrição de exercício: técnicas avançadas. 6ª edição – Porto Alegre – Ed. Artmed, 2013.)
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP