Desafio pessoal concluído! O dia em que completei duas São Silvestres em um intervalo de 12 horas

07/01/2015 08:29
Profissional de qualquer área que não seja o esporte, que leva uma vida corrida e que também adora uma corrida há de convir comigo que ganhar uma prova não passa pela cabeça. Não é meta, muito menos sonho. No máximo, e olhe lá, fazer o possível para pegar um pódio através de uma categoria sem muitos concorrentes.
 
Caso você tenha se identificado com a descrição acima, seja bem-vindo. Ou bem-vinda. Você faz parte do meu mundo e também deve ficar inventando uma série de desafios para colocar o seu corpo no limite permitido pela máquina humana (sem imprudências, ok?!).
 
Foi assim que encerrei 2014: criando algo que me fizesse superar dentro daquele período, um curto espaço de tempo entre jornalismo e esporte, que me possibilita treinar diariamente - é por essa escassez que não me vejo fazendo uma maratona, uma vez que precisaria dobrar o volume do meu treino, treinar na hora do "trampo".
 

Voltando ao assunto, viajei até São Paulo na manhã do dia 30 na companhia do animado pessoal da Série 3 Assessoria Esportiva com um foco na cabeça. Queria, de qualquer jeito, completar duas São Silvestres no mesmo dia, 31. E que fosse em um tempo médio determinado durante a semana, já computando subidas, dificuldades e dores que certamente apareceriam. Só não tinha a certeza de que conseguiria.
 
Treinei para concluir os 15 km da São Silvestre de São Paulo em até 1h30min. Deu certo! Cheguei à temida Brigadeiro Luis Antônio com 1h18min e, ao "comer esse brigadeiro" depois de precisar esmurrar os músculos da coxa no meio da elevada subida (acorda, perna!), cheguei na Paulista e passei pelo pórtico com 1h29min03s. É claro que saíram lágrimas dos olhos, exatamente como em 2012 e 2013.
 
A essa altura, a emoção era tamanha que eu nem lembrava mais da segunda parte do meu desafio. Estava anestesiado e parabenizei às pernas dando-lhes um esfregão com uma bela pedra de gelo. Aos poucos, caminhando, lembrei. E pensei "tem mais! Será que dá?".
 
Competir à noite, na São Silvestre de Brodowski, iria depender muito do meu estado físico. Mas ainda em São Paulo os músculos deram o "sim".  Eu estava inteiro e sabia que dava. Sabia, também, que iria doer. "Antes a dor do que o fracasso". Como vocês sabem, é raro ter duas provas no mesmo dia e em horários diferentes. Era a chance.
 
Foi chegar de São Paulo, trocar de roupa, e seguir até Brodowski para mais 10 km com largada às 21h, exatamente 12 horas depois da largada da outra São Silvestre. Os primeiros 5 km's foram uma beleza, com aquele pacezinho bacana de 5min por 1.000 metros. Mas depois... No KM 7 o gás acabou. No oitavo, então, eu não tinha mais perna. Para um amador, esses dois quilômetros finais pareciam uma maratona. Foi a hora de correr com o coração - sim, isso existe e eu provei!
 
Diminui o ritmo e a cada passada jogava os pés para frente, sem erguer as panturrilhas, que também estavam baleadas. E com a ajuda dos moradores que ficaram na rua esperando a virada do ano e aplaudindo os competidores (aliás, obrigado pela ajuda brodosquianos), fiquei no ritmo de 5min30s por quilômetro até o fim. Ufa! Cheguei. Diante da dificuldade esperada naquele dia 31, eu havia empurrado o meu tempo previsto para Brodowski por mais 1 km em relação ao tempo em ocasião normal, ou seja, fechar os 10 km em até 57min. Conclui com 55min13s.
 
Neste 7 de janeiro faz uma semana que consegui completar o desafio de concluir duas São Silvestres (15 km + 10 km) em um intervalo de 12 horas. As dores já estão indo embora, mas, a história... Ah, essa ninguém tira. Fosse hoje, eu faria de tudo novo. Como é bom correr, caro corredor!
 
São Silvestre São Paulo 15 km: 1h29min03s
São Silvestre Brodowski 10 km: 55min13s
 
PS: Um ótimo 2015 a todos!