Principais diferenças entre treinamentos de corrida na esteira e na rua

30/04/2014 09:58
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Por várias vezes os educadores físicos são questionados sobre qual é o melhor lugar para treinar corrida, e a resposta é muito simples. Basta o aluno descrever se ele pretende correr somente na esteira e não praticar nenhuma outra atividade fora desta que inclua corrida (esportes coletivos, por exemplo), se pretende correr na rua, se quer treinar para participar de provas de rua ou melhorar o condicionamento para alguma outra modalidade.
 
O nosso corpo necessita de exercícios de sobrecarga, como a corrida, para manter saudável o sistema esquelético. Com a força de tração dos músculos, tendões e suas inserções sobre os ossos, somada à sobrecarga da corrida (impacto maior sobre as articulações de suporte), os nossos ossos recebem estímulo positivo quando não há exagero (excesso de treino, aumento de treino repentino, início na modalidade corrida sem preparação muscular prévia), mantendo ou até melhorando a sua densidade.
 
As principais diferenças entre os treinamentos de corrida na esteira e na rua são:
Na esteira nossas articulações (dos pés, tornozelos, joelhos, quadris e coluna vertebral) sofrem menos impacto devido ao sistema de amortecimento (absorção de choque) da esteira; conseguimos cadenciar o treino devido ao motor da esteira que pode manter a intensidade (velocidade) constante; 
conseguimos controlar a taxa de inclinação (na maioria das esteiras); o piso é plano e sem desníveis que causem alterações na pisada; não sofremos influência importante da temperatura, com fácil acesso à hidratação (entre outros);
 
- Na rua nossas articulações passam por situação de maior impacto (quando comparado à esteira); para quem não possui GPS de pulso fica difícil saber qual a intensidade exata da corrida; o piso pode variar (inclinações, declinações, desvios laterais, buracos, guias...) o que exige ainda mais dos músculos estabilizadores dos membros inferiores; podemos sofrer forte influência negativa da temperatura (sol, falta de hidratação); pode existir variação da velocidade devido ao trânsito (entre outros).
 
Para quem não pretende participar de nenhuma corrida de rua ou atividades que incluam corrida, como futebol, basquete, tênis e outras, não existe a necessidade de enfatizar os treinos fora de esteira, ainda mais se o aluno for iniciante e não tiver os músculos e articulações fortalecidos e estabilizados. Na esteira o controle sobre as variáveis do treinamento é maior, potencializando o condicionamento cardiorrespiratório, com menos agressão às articulações.
 
Para quem treina em esteira mas pretende participar esporadicamente de provas de rua, o interessante é incluir treinos nos dois meios, pois treinar correr a mesma distância na esteira e na rua é bem diferente. Na rua fazemos mais força e gastamos mais energia se cumprirmos a mesma distância e tempo da esteira. 
 
Para quem treina em esteira mas já se preocupa com tempo final de provas e melhora de desempenho, deve optar por treinar mais na rua do que na esteira.
 
Finalizando, não precisamos submeter as nossas articulações a um desgaste maior se o objetivo não é melhora de performance fora da esteira. Caso o objetivo seja evoluir com redução de tempo em um determinado percurso externo, este é o local onde você deve realizar a maior parte dos seus treinos.
 
A partir da semana que vem começaremos a falar sobre os tipos de pisada e quais suas implicações sobre a postura. Forte abraço e até a próxima!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP