Escolha a vestimenta certa para correr no frio

29/07/2014 15:47
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Temperaturas extremas são verdadeiros obstáculos para os praticantes de atividades físicas ao ar livre. O excesso de frio ou de calor são dificilmente assimilados pelo nosso corpo durante o exercício físico.
 
Quando estamos parados o nosso metabolismo está em equilíbrio térmico, ou seja, a quantidade de calor produzida internamente pelo nosso corpo é compatível com a temperatura do ambiente que estamos. Ao expor o corpo ao frio, nosso metabolismo precisa produzir mais calor para manter o corpo com a temperatura o mais próximo possível do repouso, permitindo que as funções fisiológicas ocorram em ambiente propício. 
 
O corpo humano possui um mecanismo conhecido como termorregulação, que nada mais é do que utilizar estratégias para regular a temperatura interna sem que haja prejuízo para a saúde (mecanismos nervosos e hormonais). Sabendo que a temperatura interna de 37˚C é a média do ser humano em repouso, um superaquecimento (temperatura interna próxima a 45˚C) ou um super resfriamento (temperatura interna abaixo de 34˚C) podem causar danos sérios ao nosso organismo e consequentemente à saúde.
 
Este superaquecimento pode ocorrer por três principais motivos: excesso de calor produzido pelos músculos durante a atividade, alterações climáticas e hormônios liberados durante a atividade física prolongada.
 
Dentre as formas de “perder calor”, durante a corrida o nosso corpo utiliza duas principais estratégias para isto: a “convecção” e a “evaporação”. A primeira, convecção, é uma forma de perda condutiva de calor na qual o calor é transmitido para as moléculas do ar que estão em contato com o corpo. A evaporação é o meio mais importante de perda de calor durante o exercício, e seu processo é simples: quando transpiramos as gotículas de suor sobre a pele recebem o calor do corpo até serem convertidas em vapor de água, levando o calor para longe do corpo.
 
Estes são os principais motivos para escolhermos as roupas ideais para treinarmos no frio (e no calor também!). Os processos acima descritos dependem da quantidade de pele exposta às condições externas e também da capacidade de condução de calor e água dos tecidos.
 
Quando saímos para correr de moletom de algodão ou qualquer outro tecido pesado que não permita troca de calor com o meio externo, em menos de 10 minutos já estamos com vontade de tirar a vestimenta e amarrar na cintura. Esta sensação de excesso de calor ocorre devido a estes materiais não permitirem estes processos de regulação térmica. 
 
O ideal é aquecer a parte central do corpo (tórax e pelve) e as extremidades. Uma das estratégias é deixar os antebraços e pernas em contato com o meio externo (permitindo boa troca de calor nestas regiões através da condução de calor através da corrente sanguínea). A cabeça, as mãos e os pés são as regiões onde mais sentimos frio durante a atividade externa, e devem estar protegidas. 
 
Outra estratégia é utilizar uma primeira camada de roupa (em contato com o corpo) que tenha excelentes capacidades de condução de água e ventilação (dry fit ou lycra para esporte), e uma segunda camada que corte o frio (como as blusas de nylon). Outras pessoas também gostam da tradicional bermuda térmica, que pode ser utilizada sozinha ou com outra bermuda por cima. Evitem os tecidos que encharcam (como o algodão).
 
Escolha qual é a melhor estratégia e se adeque a ela para não parar de treinar por causa do frio.
 
Forte abraço e até a próxima!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP