Hérnia de disco e a corrida

04/02/2014 12:44
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Atendendo ao solicitado de um de nossos leitores, hoje falaremos um pouco sobre hérnia de disco e corrida!
 
Nossa coluna vertebral é formada por “unidades funcionais”, constituídas por duas vértebras adjacentes e tecidos interpostos que as conectam, dentre estes, o disco intervertebral. Este por sua vez é um órgão elástico que absorve a carga e os impactos impostos contra a força da gravidade e outras forças que atuam sobre nosso corpo. É subdividido didaticamente em duas partes: a mais externa é o anel fibroso, e o centro denominado núcleo pulposo.
 
Este núcleo pulposo possui um líquido (gel coloidal) que é incompressível. Desta forma, quando a nossa coluna recebe cargas excessivas, uma vértebra é pressionada contra a outra e este núcleo tende a se deslocar (protusão), podendo romper algumas fibras elásticas do anel fibroso, caracterizando assim uma hérnia. Quando isto ocorre, o conteúdo do núcleo direciona-se para a região posterior (canal medular) ou póstero-lateral (raízes nervosas), comprimindo as estruturas agora ocupadas por este conteúdo. Este evento é capaz de provocar processo inflamatório na região e em todo o trajeto dos nervos acometidos.
 
As causas mais comuns são: hereditariedade, fraqueza ou desequilíbrio muscular, exercícios de força realizados com má postura, exercícios com sobrecarga axial (peso extra apoiado sobre os ombros, por exemplo), nutrição inadequada e traumas.
 
O grande problema é que quando o indivíduo adquire uma hérnia de disco, normalmente, interrompe as suas atividades físicas por longos períodos, às vezes abandonando de vez a vida ativa. O que estas pessoas não sabem é que para nutrir os discos intervertebrais é preciso movimento, compressão adequada e controlada, preservando assim as características funcionais do disco. Quando isso não ocorre, a tendência é de desnutrição e consequente piora da mobilidade e função desta região. Relembro que estas atividades devem ser prescritas por profissionais especializados e com acompanhamento médico.
 
Relacionando com a corrida, esta por sua vez uma atividade com compressões sucessivas sobre a coluna vertebral (normalmente, compressões de baixa intensidade), a hérnia de disco nem sempre é incapacitante. Tudo depende do tipo de acometimento (protusão ou hérnia), da região acometida (cervical, torácica ou lombar), se existem estruturas comprimidas e as alterações posturais que o indivíduo possui. Quanto mais baixo o acometimento, maiores chances de compressão, pois a coluna recebe mais carga nas regiões inferiores com a corrida.
 
Existem duas alternativas para o tratamento de hérnias: intervenção conservadora e intervenção cirúrgica. A conservadora deve ser tentada na maioria dos casos de hérnia, onde existem 3 fases: redução da dor, reabilitação física e funcional e manutenção. Nenhuma destas fases deve ser deixada de lado. Basicamente consiste em fortalecer e alongar os músculos que envolvem a coluna e a pelve (no caso da corrida). Existem vários protocolos onde fisioterapeutas e educadores físicos trabalham de maneira interdisciplinar para o sucesso da recuperação.
 
Finalizando, qualquer acometimento sobre a coluna deve ser avaliado por médico ortopedista, e quando existe compressão nervosa, pelo neurologista, liberando ou restringindo atividades físicas. É fato que fortalecimentos específicos deverão ser realizados pelo resto da vida para os que querem permanecer ativos na corrida. Algumas alterações no treinamento também podem auxiliar como evitar a corrida em descidas (aumento da compressão), calçados adequados, piso de treino (esteira ao invés de rua) e redução da velocidade de corrida.
 
Um forte abraço! Aguardo qualquer dúvida.
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP