A importância de treinos recuperativos

22/01/2015 19:34
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Os corredores assíduos, destes que correm quatro ou mais vezes por semana, estão mais sujeitos a lesão do que aqueles que correm regularmente de duas a três vezes por semana em dias intercalados. Sim, de maneira geral, quanto mais se treina, mais se cansa, há maior acúmulo de metabólitos, menos se recupera e mais suscetível a colapsos está o corpo do corredor.
 
Esta afirmação é verdadeira quando levado em consideração o tipo de treino e a magnitude de stress que este pode causar ao corpo. Treinos muito volumosos (vários quilômetros) ou muito intensos (velocidade elevada) tem maior impacto sobre os tecidos do corpo humano (necessitam de maior recuperação) e, quando passamos do ponto, começamos a sentir os incômodos das lesões.
 
Vários estudos científicos buscam identificar a melhor maneira para se recuperar de sessões de treinos mais intensas e de competições que exigem o extremo do nosso organismo. Normalmente nestes casos o corpo chega muito próximo do limite da fadiga e da falta de energia, onde fica exposto e mais predisposto a lesões. Mas o que é melhor após um dia de treino ou competição de alta intensidade, descansar ou correr? Se não aconteceu nenhuma lesão, se não há dor articular importante e limitante... o melhor é correr. Sim, correr!
 
Do ponto de vista fisiológico, realizar um treino de baixa intensidade e baixo volume no dia seguinte de sessões intensas traz mais benefícios do que ficar parado sem atividade física. Isso ocorre por inúmeros processos orgânicos, mas que resumidamente e para fácil entendimento, fazem com que o corpo aproveite os metabólitos do treinamento intenso do dia anterior e os reutilize como fonte de energia, acelerando o processo de recuperação.
 
Isso é facilmente observado nos esportes coletivos (em evidência na televisão). Após uma partida de futebol profissional, no dia seguinte “os jogadores que participaram dos 90 minutos correram leve em volta do campo enquanto os reservas treinaram com bola”.
 
Não existe uma única receita para todos. A recuperação deve ser proporcional ao estímulo dado no dia anterior, sempre com duração, distância e velocidade consideravelmente menores. Procure o seu educador físico para conversar sobre o tema.
 
Não se esqueça de que a recuperação faz parte do processo de treinamento, e é durante a recuperação que o nosso corpo evolui!
 
Obrigado pela leitura.
 
Forte abraço e até a semana que vem!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP