O dia em que as pernas não pararam e 10 km viraram 21 km

21/09/2015 23:32
Foto: Elenilton Viana RangelAs ocupações pessoais me tiraram dos treinos. E os treinos me tiraram das corridas de rua. Momentaneamente. A cabeça sofre e o corpo pede movimento. Alguém já sentiu isso? No meu caso - apenas neste momento -, só daria para correr se o dia tivesse mais de 24h ou algo similar.
 
Parecem até aquelas desculpas de quem coloca obstáculos para não sair de casa, do sofá, da cama e de cima do muro - se começa ou não uma atividade física.

Diante disso tudo, garanto que, pela primeira vez, senti uma anestesia como se eu tivesse saído do próprio corpo por duas horas durante a 5ª Meia Maratona Tribuna Ribeirão, em Ribeirão Preto-SP. Relato abaixo (ao menos tento) o que aconteceu comigo neste domingo (20) de sol - ainda não encontrei uma resposta lógica, mas vamos lá.
 
Sem treinamento nenhum, apenas pela experiência adquirida por correr desde 2010, me inscrevi para os 10 km da prova sem saber se conseguiria completar este percurso em um ritmo confortável. Meia maratona, então? Mas neeeeeeem pensar! E tudo ficou mais difícil quando não encontrei a chave do carro, não tomei café da manhã, cheguei atrasado na corrida (na hora em que o pessoal já estava largando!) e sai direto, sem aquecimento e alongamento. Indícios de que eu "quebraria" lá pelo sexto ou sétimo quilômetro. Certo? Que nada! Nunca havia me sentido tão bem! Uma corrida prazerosa.
 

No décimo quilômetro, correndo ao lado do amigo Jackson Alves, comecei a “ouvir” minhas pernas. Me sentia bem. As pernas deveriam parar no km 10,5, mas não pararam. Elas queriam correr! Então pergunto: como alguém sem treino nenhum corre como se não estivesse correndo? Parecia que eu não estava ali. Decidi então sair do rumo do pórtico e seguir em frente, continuar mais alguns quilômetros para saciar o desejo de correr.
 
Se antes da prova, em jejum e na pressa, eu sequer sabia se dava conta dos 10 km por falta de treino, durante o percurso já pensava em correr 13 km e parar. Mas quando me dei conta, eu já estava no 15º km correndo ao lado de outro amigo, Mateus Ramos. Só então mudei o foco e comecei a cogitar a conclusão de uma meia maratona depois de dois anos. "Quem corre 15 km corre 21 km", pensei.
 
Embora pareça teimoso, sei o momento de parar e diminuir o batimento cardíaco. E assim fui até o 19º km, onde o joelho esquerdo esquentou. Doeu. Ali também acabou a "minha gasolina" e a corrida virou trote com caminhada. Os dois quilômetros finais foram para cumprir tabela.
 
Meu tempo? Outra surpresa. Em 2013, quando treinei para isso, fiz a mesma prova no meu tempo amador: 2h08min. Em 2015, sem treino nenhum e mudando o "roteiro" de última hora (desculpe pelo incômodo, organização!), quase um empate técnico: 2h09min. Foi um desafio pessoal maluco e bacana. Não recomendo, mas, confesso, queria sentir outra vez e quebrar protocolos alimentando as pernas com o que elas mais gostam: correr!
 
Esse dia #FoiLoko! O dia em que 10 km viraram 21 km sem que houvesse treino para isso.