Periostite Tibial, a famosa “dor na canela”

28/01/2014 00:28

 

Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Quem corre já ouviu falar alguma vez daquela famosa dor na canela, popularmente chamada de “canelite”, denominada Periostite Tibial ou Síndrome do Stress Tibial Medial na área da saúde.
 
A Tíbia é um dos dois ossos da perna, o mais longo e espesso da região, que articula com o fêmur, e é responsável por receber todo o peso do corpo do joelho para cima. Sua face anterior é facilmente palpável na região ântero-medial da nossa perna onde não se encontra nenhum músculo sobre esta estrutura.
 
O periósteo é uma fina camada que reveste os ossos do nosso corpo e possui inervação, ou seja, qualquer lesão causará dor. Além disso, os nossos ossos estão em constante processo de formação e reabsorção, se adaptam a todo e qualquer estímulo excessivo ou sedentário. O fato de ficarmos poucos dias com alguma articulação imobilizada já é capaz de reduzir consideravelmente os minerais que compõem a estrutura dos ossos.
 
O que normalmente acontece é um aumento repentino no estresse físico onde os nossos ossos não conseguem acompanhar a regeneração mineral. Tecnicamente temos um quadro de esforço repetitivo sobre o tecido conjuntivo que envolve o osso da tíbia. A pessoa sente dor que piora durante a atividade física e fica sensível ao repouso.
 
O que muitos não sabem é que a periostite não é uma particularidade desta patologia. Qualquer osso que tenha lesão onde o periósteo foi afetado passará por processo inflamatório causando dor e incapacitação. Os ossos com maior predisposição à periostite são dos membros inferiores, como a tíbia, 5º metatarso (região lateral do pé), navicular (região interna do pé), fíbula (lateral da perna) e calcâneo (calcanhar).
 
Pessoas com este quadro devem procurar auxílio médico e seu tratamento dura normalmente entre 2 e 12 semanas, dependente do quadro atual. Fiquem atentos, as principais causas destas patologias são: calçado inadequado, aumento rápido de volume e intensidade de treinamento (periodização errada), falta de fortalecimento muscular prévio (desequilíbrios), tipo de pisada, mudança de terreno de treino e fatores nutricionais/hormonais.
 
Um forte abraço a todos, espero que aproveitem o conteúdo!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP