Propriocepção e sua utilidade para corredores

07/10/2014 11:31
Prof. Aroldo Costa Neto*
 
Muitos corredores têm buscado estratégias que auxiliem na profilaxia de lesões. Para tal, existem várias ferramentas que podem colaborar como a melhora da força, flexibilidade e resistência muscular, escolha correta dos dias e das variáveis de treinamento, melhora da técnica de corrida e da postura durante a realização da atividade, o que se relaciona com a propriocepção.
 
Segundo Kandel, Schwartz e Jessell (2003), a propriocepção é o termo que descreve a percepção do próprio corpo e inclui a consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular.
 
Os proprioceptores (conjunto de receptores que informam o nosso sistema nervoso central sobre o estado interno nas estruturas orgânicas, como tensão de músculos, tendões e ligamentos, pressão articular) são receptores que, de maneira geral, indicam o posicionamento do nosso corpo consciente e inconscientemente. Isso quer dizer que mesmo não nos preocupando com o recrutamento e ativação destas estruturas, eles estão atuando constantemente durante todo o dia, na atividade física ou não.
 
Estão intimamente ligados ao controle postural e a resposta articular aos desequilíbrios que o nosso corpo sofre. Estes receptores desempenham a função de detectar todas as variações mecânicas e de enviar a informação recolhida ao sistema nervoso central, que somado às respostas de outros sistemas (vestibular e visual, por exemplo) permite que o nosso corpo mantenha-se em equilíbrio contra a ação da gravidade.
 
Apesar de ser pouco explorada, a propriocepção possui íntima relação com a profilaxia de lesões e, quando bem treinada, é capaz de economizar energia para execução das tarefas, onde o praticante precisa produzir menor esforço para manter as articulações equilibradas. Uma das melhores maneiras de estimular esses receptores é através de exercícios de equilíbrio.
 
Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário incluir uma plataforma instável (como discos e pranchas de equilíbrio, bosu, bola suíça) para realizar estes exercícios. O simples fato de diminuirmos a nossa base de suporte (ficando sobre um pé apenas, por exemplo) já é tarefa desafiadora para o nosso sistema proprioceptivo. Também não basta realizar os exercícios de qualquer jeito, o ideal é ter um profissional corrigindo a sua postura durante a realização dos gestos, oferecendo-lhe feedback para controle ativo da postura.
 
Bom, e o que tem isso a ver com a profilaxia de lesões? A resposta é que a propriocepção pode ser treinada, permitindo que o nosso sistema nervoso central responda de maneira mais eficiente após passar por alterações bruscas de posicionamento corporal (como por exemplo, contrair os músculos que envolvem o tornozelo mais rapidamente em uma situação de entorse, o que estabilizaria esta articulação antes da lesão).
 
Converse com os profissionais de educação física e fisioterapia para saber mais sobre o assunto.
 
Obrigado pela leitura! Forte abraço e até a semana que vem!
 
 
(KANDEL, E. R.; SCHWARTZ, J. H.; JESSELL, T. M. Princípios da Neurociência. Editora Manole, 2003.)
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Aroldo Costa Neto é fisioterapeuta e educador físico
na academia Studio F3 Corpo Inteligente, em Ribeirão Preto
CREFITO-3: 32.583 - F / CREF: 042.260 - G/SP