Vovôs que correm! Zacharias, de 82 anos, e Therezinha, de 80, contam o segredo da vitalidade

16/09/2016 08:18
Foto: R. Gonça/VaiCorrendo.comR. Gonça/VaiCorrendo.com
 
Que a prática esportiva é capaz de mudar os rumos da vida de qualquer pessoa se torna um mito somente para quem nunca experimentou. Boas doses de endorfina - o analgésico natural, o hormônio do bem-estar - causadas por uma corrida de rua, por exemplo, são imprescindíveis para desmistificar qualquer tese contrária. Para correr, aliás, não há idade. Therezinha Nazario Martucci nasceu em 16 de abril de 1936, em Taiaçu. Aos 80 anos, é corredora de rua em Jaboticabal. Zacharias Cury Mussi segue a mesma receita e os seus 82 anos bem vividos, desde 7 de janeiro de 1934, não o impedem de ser figura constante nas provas.
 
Mas, afinal, como os idosos conseguem praticar atividade física de alto gasto calórico no auge dos mais de 80 anos de idade? Eles explicam em entrevista ao VaiCorrendo.com. E com muito orgulho!
 
"Pratico musculação e natação. Vou alternando entre as duas modalidades. Na minha cidade, em Jaboticabal, sou patrocinada pela Academia Cardiofísico, onde tenho um professor que me orienta, e pela Unimed. Faço exames de rotina e sempre estou com bons resultados", conta Dona Therezinha, acostumada em correr provas de 5 km e 10 km na região de Ribeirão Preto.
 
Foto: Marcos P. TavaresSenhor Zacharias, que prefere ser chamado de Zaca, também mantém uma rotina médica e esportiva. "Estou sempre em dia com meus exames de rotina. Faço fortalecimento na academia, durante a musculação, e treino corrida na pista através de uma planilha adequada à prova que for participar", diz o atleta, natural de Antonina, interior do Paraná, e morador de Franca desde 1944.
 
 
O início de tudo
Os "corredores vovôs", no entanto, não começaram a correr tão cedo. Ao contrário. A corrida acabou se tornando um "santo remédio" contra a idade avançada. "Pratico corrida desde 1976 [tinha 42 anos]. Ingressei neste mundo maravilhoso da corrida por acaso. Um amigo me convidou para correr e fui. Então parei de fumar e comecei a correr de verdade. Nunca mais parei de correr. Recomendo a corrida de rua para a terceira idade, mas para enfrentar uma prova sempre há necessidade de uma preparação previa", conta Zaca, que completa demonstrando orgulho. "Guardo todos os troféus e medalhas com muito carinho."
 
"Minha primeira corrida foi no dia da cidade de Jaboticabal. Eu tinha 53 anos. Trabalhava fazendo bolos e também como empregada doméstica. Precisava 'correr' até o serviço para não chegar atrasada. Minha vida sempre foi só trabalho. Até que um dia resolvi participar de uma prova em Jaboticabal. O tênis era velho e fui para os 5 km. A partir dessa corrida, tudo virou um estilo de vida", explica Dona Therezinha. Ela já perdeu as contas de quantos troféus ganhou. "Não tenho a contagem correta. Entre medalhas e troféus, são mais de 200."
 
QUEM SÃO ELES
Therezinha Nazario Martucci                    Zacharias Cury Mussi
Nascimento: 16/04/1936                       Nascimento: 07/01/1934
Natural de: Taiaçu-SP                            Natural de: Antonina-PR
Mora em: Jaboticabal-SP                         Mora em: Franca-SP
Corre desde: 1989 (aos 53 anos)              Corre desde: 1976 (aos 42 anos)
 
 
Vale a pena!
Se não começou a correr, comece. Se já iniciou suas passadas, não pare. Este é o recado dos apaixonados por corrida de rua, Therezinha e Zaca.
 
"Recomendo a corrida para todo mundo, não apenas para o pessoal da terceira idade. A corrida é essencial para nossa saúde. Nela você consegue curar tudo. Quando estou cansada de trabalhar o dia inteiro, porque também faço massas congeladas para vender, vou correr para curar todo o meu cansaço. A corrida é um esporte que faz você superar seus limites", diz Therezinha.
 
"A corrida é minha paixão! Conquistei grandes objetivos e grandes amigos. Afinal, metade da minha vida já passei correndo. E está valendo a pena", emenda Zaca.
 
 
Valorização aos idosos
Campeã pessoal por todo o esforço no esporte e na vida, Dona Therezinha faz um pedido aos organizadores das corridas: mais valor aos idosos. "A organização deveria se atentar mais aos atletas idosos participantes. Deveriam ter mais classificações e prêmios, pois eles não sabem o quanto é sacrificante, na nossa idade, conseguir completar uma prova de 5 km ou 10 km. Poderiam premiar mais as categorias acima dos 80 anos. É o mínimo que deveriam fazer por nós, idosos".
 
 
Fotos: R. Gonça e Marcos P. Tavares
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