Descubra como são definidas as zonas de treinamento! #10

19/10/2018 08:45
Por Bruno Andrade*
 
Olá, amigo internauta do VaiCorrendo.com! E aí, como vão os treinos?
 
Você já deve ter percebido que em muitos momentos do seu treinamento o seu treinador deve ter te passado algum tipo de treino com tempo e zona alvo muito bem especificas. E pode ter certeza: não é um numero mágico cabalístico, muito menos intuição do seu professor.
 
Fato é, as zonas de treinamento somente conseguem ser definidas através de teste de esforço físico e os mais comuns de serem utilizados são os de VO² Máximo. Estes testes têm uma infinidade de formas para serem aplicados, podendo variar a escolha de acordo com o local a ser aplicado, idade do indivíduo avaliado, condição física e sexo. Mas, mais importante que saber as várias formas de aplicação do teste, é saber pra que ele serve. Então vamos lá:
 
VO² ou VO² Max pode ser definido como a capacidade de um indivíduo transportar e metabolizar o oxigênio para a produção de energia (sabe quando você fala que faltou gás no final da prova? Esse gás é o oxigênio!). Também é um dos marcadores mais importantes para a classificação do nível de treinamento e desempenho físico de um atleta, especialmente nos esportes de resistência.
 
Voltando ao teste, nele é possível identificar além do nível de condicionamento também as zonas alvos de treinamento. Você provavelmente já ouviu falar de limiar aeróbio e anaeróbio, e estes são os pontos chaves da prescrição do treinamento para esportes de resistência. Realizado o teste de VO², seu treinador consegue verificar o ponto onde existe a maior eficiência na troca de oxigênio com seu organismo, e isso vai orientar toda a montagem do seu treino com base principalmente em três momentos do esforço físico:
 
• Fase aeróbica
Essa é muito importante em práticas mais longas no atletismo, bike ou natação, e também serve para quem pratica esportes mais leves como caminhada. A resistência aeróbica é uma característica de esforços físicos pouco intensos, caso dos treinos longos e as rodagens. Essa resistência funciona principalmente com o uso do oxigênio e gordura para geração de energia.
 
• Fase anaeróbica láctica
Nesta fase, o esforço físico já não é mais possível ser mantido somente com a utilização do oxigênio para a produção de energia, e aí começa então a ser utilizada também a glicose como substrato energético. Neste momento também começa a ser produzido acido lático, mas em quantidade que o organismo ainda consegue fazer a remoção e reutilização, sem prejuízo ao desempenho esportivo, conforme o esforço aumenta a remoção do acido lático começa a ficar debilitada, sento um fator limitante do exercício. Essa fase pode ser identificada nos treinos de ritmo, intervalados moderados e tiros de média e longa distância.
 
• Fase anaeróbica aláctica
Nesse caso, os esforços físicos de máxima intensidade e pouquíssima duração dependem muito dessa resistência, nesse momento devido ao grande esforço sendo executado, o elemento enérgico sendo utilizado é a creatina, e este esforço é realizados principalmente em tiros de curta duração.
 
Perceba que cada tipo de treino tem sua importância e todos são fundamentais para o desenvolvimento do atleta na corrida, por isso eu ressalto: não negligencie nenhum tipo de treinamento.
 
É isso aí pessoal, espero poder ter colaborado ajudando vocês, leitores da Coluna Corre Comigo e seguidores do VaiCorrendo.com, a entender um pouco mais da nossa rotina de treinamento. Abraço e até a próxima, no dia 2 de novembro.
 
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Bruno Andrade é Profissional de Educação Física (Cref 082452-G/SP), personal trainer, especialista em Fisiologia do Exercício, Treinamento Esportivo e Emagrecimento pela UFSCar, e proprietário da Corre Comigo Assessoria Esportiva.
 
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