Especialização Precoce #23

10/05/2019 08:29
Por Bruno Andrade*
 
Todos que têm filhos gostariam de ver os pequeninos envolvidos em alguma atividade física. Alguns iniciam por necessidade, como é o caso das crianças com problemas respiratórios - as atividades aquáticas exercem um efeito benéfico para eles. Outros buscam um esporte com um pouco mais de disciplina, como as artes marciais, ou então melhorar a coordenação motora e a socialização estimulando a prática de esportes coletivos ou danças.
 
Mas dar início à vida esportiva às crianças pode haver um lado negativo. Quando se deixa de lado o caráter lúdico e recreacional - importante para manter o interesse da garotada na atividade - buscando impor o ambiente competitivo, o que era para trazer benefícios passa a ser extremamente maléfico. E infelizmente os grandes responsáveis pela esportivização precoce, na maioria dos casos, são os pais e treinadores.
 
Embora diversos estudos nos mostrem a quantidade de efeitos negativos da especialização em determinada modalidade esportiva na infância, a mentalidade que se tem é que quanto mais cedo se inicia o treinamento, melhor é. A Rússia, desde os tempos de União Soviética, encaminha as crianças para as modalidades que julgam ideal, de acordo com o biotipo daquele indivíduo. Tal prática também é bastante difundida na China, onde as crianças chegam até a serem separadas de seus pais para irem morar nos centros de treinamento.
 
Um estudo da Revista Psicologia & Saúde, de 2011, indicava estresse emocional em 17% das 35 crianças praticantes de futebol e participaram do estudo, e 20% das que praticavam ginastica artística. Outro estudo realizado pela Universidade Católica de Santos, de 2012, listou os prejuízos que a especialização precoce pode trazer:
 
• Psicológicas: estresse, depressão, ansiedade, insegurança, agressividade, baixa auto estima.
• Fisiológicas: Desequilíbrio hormonal e problemas de crescimento.
• Sociais: problemas com o rendimento escolar e redução da participação em atividades infantis.
 
Em 2014 um estudo importantíssimo foi publicado na Revista Brasileira de Educação Física e Esportes, feito com jogadores da Superliga de Vôlei, analisando dados sobre a especialização precoce e também o envolvimento em outras modalidades durante a formação dos atletas. Além de derrubar por terra que iniciar o treinamento já na infância pode ser determinante para se ter sucesso na vida esportiva, ainda evidenciou que a prática de outras atividades pode ter colaborado para o desenvolvimento das qualidades técnicas dos jogadores.
 
Vale ressaltar então, amigos que me seguem aqui na Coluna Corre Comigo, que para as crianças é fundamental que haja diversificação dos estímulos motores, que muitas vezes não é possível com a prática sistemática de determinada modalidade, e que não devemos dispensar nossas frustrações e anseios esportivos em cima dos pequenos. 
 
Abraços e até a próxima coluna aqui no VaiCorrendo.com, o site do corredor de rua!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Bruno Andrade é Profissional de Educação Física (Cref 082452-G/SP), personal trainer, especialista em Fisiologia do Exercício, Treinamento Esportivo e Emagrecimento pela UFSCar, e proprietário da Corre Comigo Assessoria Esportiva.
 
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