"Não era impossível ganhar dos africanos", relembra Iser Bem em Live do VaiCorrendo.com

02/07/2020 06:51
➤ Rafael Gonçalves/VaiCorrendo.com
 
Campeão da Corrida Internacional de São Silvestre em 1997, numa arrancada impressionante sobre a "lenda" Paul Tergat na subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio, o brasileiro Emerson Iser Bem foi o convidado do VaiCorrendo.com para a Live Especial nesta quarta-feira, 1º de julho. Iser Bem destacou na transmissão com o corredor Tiago Tibério que, nos anos 90, superar os africanos não era algo impossível - em 2020 o atletismo masculino brasileiro completa uma década sem vitória na maior prova de rua do país, sempre perdendo para corredores da Etiópia ou do Quênia.
 
Quando foi campeão, em 1997, um ano depois de atuar como "Coelho" nos primeiros 5 km da São Silvestre, Iser Bem voltou a travar outra batalha com o sul-africano Hendrick Ramaala, terceiro colocado na prova. "O atleta que ficou em terceiro, naquela época, o sul-africano, às vezes eu ganhava dele, às vezes ele ganhava de mim. Ele até virou meu amigo".
 
Para o campeão de 1997, vencer os atletas africanos era realidade no atletismo brasileiro. "Não era impossível ganhar dos caras. Numa média, por exemplo, eles ganhavam mais de mim do que eu ganhava deles, mas não era absoluto. Somente o [Paul] Tergat. Esse sim teve uma carreira extraordinária", avalia Iser Bem, que em 97 fechou os 15 km da São Silvestre em 44min40s superando Tergat, pentacampeão da prova.
 
Então por que atualmente tem sido raro ver um brasileiro ganhar a São Silvestre? (O último foi Marilson Gomes dos Santos, em 2010). Iser Bem explica. "Bater [competir] com esses caras lá fora [no exterior] foi importante pra mim. Assim, quando eles viessem para o Brasil, não seriam vistos como 'extraterrestres'. Teve um momento, nessa mesma São Silvestre, que o Hendrick Ramaala começou a disputar comigo. Pensei: ah, dele eu não perco. Já o conhecia. Os meninos hoje precisavam sair um pouco, competir lá fora", emenda Iser Bem, referindo-se à experiência que teve de disputar com os africanos em vários países do mundo, até mesmo pelo Cross Country.
 
"Mas é complicado, eu sei. Hoje o brasileiro tem dificuldade até de entrar nessas provas. É muito difícil entrar no circuito da elite mundial e você ainda vai pagar, e não ganhar dinheiro", completa.
 
A Live Especial com Emerson Iser Bem, na íntegra, está publicada no canal do VaiCorrendo.com no YouTube (youtube.com/vaicorrendotv, assista abaixo) e no IGTV do Instagram (instagram.com/vaicorrendo).
 
 
Foto: Reprodução YouTube
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