O doping e a corrida #22

26/04/2019 07:00
Por Bruno Andrade*
 
Olá, amigos seguidores e internautas do VaiCorrendo.com! Dessa vez, na coluna Corre Comigo desta semana, vamos tratar de um assunto que não gera tanta polêmica: o doping. Como frequentemente aparece na mídia, esse tipo de situação já virou notícia comum. Mas ainda vale a discussão. E muita reflexão.
 
Recentemente vimos alguns medalhistas olímpicos perdendo o título anos após a conquista. No futebol já virou rotina este "caso de doping". A utilização de produtos ilícitos, geralmente de origem farmacológica, é gigante no meio esportivo. E para se ter uma ideia, na última Olimpíada a WADA teve testes positivos em dez atletas.
 
Estes otimizadores de performance são muito variados e, para cada especificidade das modalidades, existe componentes específicos. No atletismo já se usou o componente Stanozol, um esteróide anabolizante que foi flagrado no caso de doping mais famoso da história dos Jogos Olimpícos, o "caso Bem Johnson" em 1988.
 
Essa droga tem o poder de aumentar o rendimento do atleta através do aumento de força e também da massa magra. Em contrapartida a substância pode "masculinizar" as mulheres e, nos homens, ao final do período de utilização, a testosterona em excesso é convertida em progesterona, desenvolvendo a ginecomastia.
 
Outro caso de doping na corrida flagrou o campeão europeu do 4x400 em Zurique 2014: o atleta Nigel Levine foi pego utilizando a substância Clembuterol, medicamento prescrito para pessoas com problemas respiratórios, como a asma, o que não era o caso.
 
Essa substância tem a finalidade de melhorar a capacidade respiratória e, por ser uma droga que age no sistema adrenérgico (produção de adrenalina e noradrenalina), também tem a capacidade de queimar gordura. Além disso, os atletas ainda relatam ganho de massa, qua ainda não se tem explicação fisiológica comprovada. Na contramão dos efeitos positivos da droga estão a impotência sexual, dependência química, depressão e até o desenvolvimento da asma.
 
Apesar dos casos citados serem de atletas de elite, hoje infelizmente os maiores consumidores de drogas intensificadoras de performance são os atletas amadores. Muitos relatam a utilização pela vontade de poder expor grandes resultados, sendo as mídias sociais um grande fomentador dessa atitude. O que nos cabe é lembrar que nós, atletas amadores, não precisamos ter compromisso com o resultado, que atitudes como essas nos afastam do principal objetivo da corrida de rua amadora: a saúde vem em primeiro lugar!
 
Um grande abraço e até a próxima coluna aqui no nosso blog. E #VaiCorrendo! Saúde, sempre!
 
*Colunista do VaiCorrendo.com, Bruno Andrade é Profissional de Educação Física (Cref 082452-G/SP), personal trainer, especialista em Fisiologia do Exercício, Treinamento Esportivo e Emagrecimento pela UFSCar, e proprietário da Corre Comigo Assessoria Esportiva.
 
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